quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Feijoada no Titânico FC, imperdível!

I LOVE LAJE NO FOMENTO À CULTURA DA PERIFERIA

Titânicos, mesmo!

Quem chegar é bem chegado!

É festa da melhor qualidade.

Veja a programação no vídeo!

DO CAMPO LIMPO AO SINTÉTICO

POESIA SEM MISÉRIA

A VÁRZEA É ARTE

A VÁRZEA É VIDA

PARTICIPE!

Esse projeto foi contemplado pela 1ª edição do Programa de Fomento à Cultura da Periferia da cidade de São Paulo


Help Hour no I Love Laje, é só chegar!

I LOVE LAJE NO FOMENTO À CULTURA DA PERIFERIA


Sexta-feira, 09 de novembro

com Marco Pezão, Tubarão e Alai Diniz

DO CAMPO LIMPO AO SINTÉTICO

POESIA SEM MISÉRIA

A VÁRZEA É ARTE

A VÁRZEA É VIDA

PARTICIPE!


Esse projeto foi contemplado pela 1ª edição do Programa de Fomento à Cultura da Periferia da cidade de São Paulo




SARAU POESIA SEM MISÉRIA

I LOVE LAJE NO FOMENTO À CULTURA DA PERIFERIA

E o Sarau Poesia Sem Miséria segue saboroso no Espaço de Convivência Cultural I Love Laje.

Toda terceira sexta-feira do mês a poesia é comungada junto ao delicioso macarrão caseiro.

Quem comparece sai duplamente alimentado, as edições de setembro e outubro foram de encher os olhos, ouvidos e barrigas.
Confiram os registros, é de dar água na boca.

Tubarão dulixo abrindo os caminhos da noite de poesia

Otília trazendo no canto todo o encanto da poesia musicada

Zilda destila sua poesia por toda a Laje, sorte nossa.

A poesia desperta, sacode, emociona quem ouve.
Pega carona na cauda de cada palavra que ecoa.
                       
A poesia vem, vem ficando, fica, 
quando se percebe já foi, mas logo volta.

Djalma lança livros, palavras, conta histórias onde a poesia flutua por nosso imaginário e nessa hora também somos todos poesia.

Como são diversos os versos, na poesia cabe um mundo,
Marquinho nos apresenta o seu.

Tem hora que a poesia é quase uma reza, 
dada a tanto sentimento que se põe as palavras.

A poesia que foi plantada, deu fruto.

Alai Diniz empunha o que os olhos veem como simples folhas de papel.
 Mas a oralidade revela toda a força da poesia ali contida.

Nossa ideia de poesia ninguém censura,
a história segue sendo escrita e contada em verso e prosa.

Mavotsirc tirando a mascará e revelando toda sua poesia.

Bel indo beber direto na fonte, matando nossa sede também.

Cremos na Poesia...Cremos na Poesia
como um mantra.

Nosso time é Poesia F.C.

SARAU POESIA SEM MISÉRIA

SEXTA-FEIRA, 23 DE NOVEMBRO ÀS 20H

Texto e Edição: Tubarão

DO CAMPO LIMPO AO SINTÉTICO

POESIA SEM MISÉRIA


A VÁRZEA É ARTE

A VÁRZEA É VIDA

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Esse projeto foi contemplado pela 1ª edição do Programa de Fomento à Cultura da Periferia da cidade de São Paulo



terça-feira, 6 de novembro de 2018

Mario San e a Rainha do Lar

I LOVE LAJE NO FOMENTO À CULTURA DA PERIFERIA

No começo do século XX, o Japão derramava vida pra tudo quanto era lado. E quando o imposto de propriedade já não podia ser pago em produtos, então foi um deus nos acuda. Era tanta miséria nas cidades abarrotadas de gente que uma das saídas foi a emigração. 

No cartaz acima uma Companhia distribuía aos desafortunados a doce ilusão de riqueza, oferecendo contratos para trabalhadores  nos engenhos de açúcar da costa do Peru ou em plantação de café no Brasil, principalmente em São Paulo.

Milhares de camponeses sem terra no Japão aqui vieram para suprir a carência de mão de obra desse outro lado do globo. Chegaram em 1908 pra lavoura do café, mas o primeiro país a contratar asiáticos, na América do Sul, foi o Peru em 1899.

Mas seria mesmo carência de mão de obra? Ao fim da escravidão, os fazendeiros optaram por contratar imigrantes, em lugar de pagar um salário digno aos escravos libertos. 

Esse foi o caso de Saiti Iguti, pai de Torao, o Mario San, que conta:

 - “Lá no  Japão, achavam que era só vir pro Brasil e trabalhar duro durante 5 anos pra voltar rico pra lá.” 

Foi numa dessas que Saiti assinou um contrato de trabalho de três anos. Rumou por mar e terra a uma fazenda de café em Ribeirão Preto (SP). 

Tome Iguti, sua mulher, com um embrião no ventre e mais três filhos, enfrentaram uma viagem de 40 dias, de navio, até o porto de Santos. 

O sonho de Iguti era enriquecer logo e voltar rico pro Japão. Por isso, em sua casa, fazia questão de usar a língua japonesa, enquanto a família crescia em bocas pra comer.

Ao todo eram oito filhos, cinco nascidos no Japão - dois homens e três mulheres - e três no Brasil - homens - que, de dia, eram braços pra lavoura e de noite, à luz de lamparina, aprimoravam a língua ancestral na escrita e na leitura. 

Quando o navio aportou em Santos, São Paulo estava em guerra (1932). Rindo, Torao conta que até houve trégua na Revolução Constitucionalista pra que os imigrantes viajassem de trem, passando ilesos por São Paulo. 

Não foram os tiros de canhão ouvidos ao longe, o que nunca esqueceram da chegada ao Brasil, mas sim uma primeira iguaria servida a eles no trem rumo a Ribeirão Preto. 

Iam jogando tudo pela janela, tal era o fedor daquela comida que eles nunca tinham provado: a mortadela.

Com o tempo o sonho daquela família nipônica foi-se dissipando em virtude de um contrato que os tornava 'escravos'. Conforme Torao, os Iguti, ao fim do contrato, saíram “lisos” da fazenda. 

Virou da água pro vinho, a vida da família, quando arrendaram terras para o plantio de algodão, possibilitando ao Saiti comprar a sonhada propriedade. 

Aí o pai de Torao, resolveu embarcar em outro sonho, o de plantar "ouro verde" (café) no Paraná. Torao já tinha 12 anos e ajudava a família no campo.

A primeira florada coincidiu com uma tremenda geada, em 1953. Plantaram mais uma vez e novamente, em 1955, geou e perderam a safra.

Então Torao assumiu que estava na hora de decidir sua vida. Iria à São Paulo, capital pra estudar. Tinha feito só o ensino fundamental (de primeira a quarta), mas seu plano secreto era ser médico. 

Em casa de primos, Torao trabalhava pra comer, mas ia aprendendo a lidar com o couro e foi pouco a pouco sendo demovido do estudo pelo primo. 

Virou mestre artesão e montou seu próprio atelier. Ia muito bem, tanto que foi buscar no Paraná, Eunice, a namorada, e casados foram morar no Caxingui.

Juntando uma grana, Torao deu entrada em um prédio recém terminado na Estrada do Campo Limpo e aderiu ao comércio. Tinha de tudo no Bar Empório Rainha do Lar, de Torao e Eunice.

“ – Dona Eunice fazia espetinho, coxinha como ninguém! E aquele empanado japonês com verduras e camarão? 

Como era mesmo o nome? Ah! Tempurá. Que delícia”, recorda Marco Pezão durante a conversa. Às quatro da manhã Eunice despertava e dá-lhe fazer quitutes pra vender na mercearia. 

Até que nos anos 90, Eunice teve um câncer de mama, conta Torao, mas com uma cirurgia, Eunice se recupera e a família lhe oferece  uma viagem ao Japão. Torao fica pra cuidar do empório.

Por trás daquela senhora tão prendada, havia uma artista, recorda Torao. Eunice, com seu canto, participa de um karaokê na Liberdade.

Vence vários concursos e incentiva Torao a aderir a essa convivência cultural, em que nipo-brasileiros se reúnem para entoar melodias em língua dos seus antepassados.

Em maio de 2018, aos 78 anos de idade, encanta-se Eunice Iguti, e segundo a tradição oriental, Torao erigiu, em sua homenagem, um altar com três dos troféus conquistados, além de fotos.

A música alivia a solidão, Torao equipa um cômodo da casa com uma aparelhagem apropriada para gravar, ensaiar e enriquecer seu cotidiano. Adquiriu o hábito de escolher alguma nova melodia japonesa pra apresentar nos eventos da Associação. 

Fugindo da mesmice, na arte do canto, octogenário, pleno de suas faculdades mentais, cria um ambiente de alegria, afeto e cuidado de si, como ser independente. 

Tem uma longa história com seu trabalho cotidiano, mas é este prazer que o mantém firme e feliz consigo mesmo. 

Lá na Associação, a Liberdade é a de Torao Iguti.  O artista que a comunidade do Campo Limpo, provavelmente, ainda não conhece. 

Enriquece a comunidade do Campo Limpo com sua existência criativa. Torao Iguti encontra na arte de cantar o calor da presença de quem, como ele, detém um saber: a língua japonesa. 

Torao, Mario San, nos ensina a entender que não há limite de idade enquanto houver sonho. Assim é que a vida acontece. 

Após maio de 2018, com a partida da companheira, ele canta, quase como se fizesse com a voz uma elegia à Eunice, assim traduzida para nós:

Triste história antiga
Você conta sorrindo
Mas deve ter sofrido
Se eu sirvo pra consolar
Deixe-me tentar


Reportagem: Marco Pezão e Alai Diniz


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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

A Plenos Pulmões, o sarau, acontece no dia 10 de novembro

I LOVE LAJE NO FOMENTO À CULTURA DA PERIFERIA

A partir de 2017, o Sarau A Plenos Pulmões passou a ser bimestral, mas mesmo com essa periodicidade fluida e a perda de alguns poetas assíduos, o evento ainda continua atraindo gente nova e vê com alegria o retorno de parte dos antigos entusiastas.

Só quem confunde Sarau com a superficialidade dos "programas televisivos de auditório" pode duvidar da atmosfera que este Sarau mantém, sob a coordenação de um de seus criadores: Marco Pezão.

A convivência efêmera em torno de um lirismo confessional, crítico ou identitário se configura no ato performático de um corpo e voz em presença, combinado a um ambiente democrático, descontraído e acolhedor.

Este ato transforma a sessão em um espaço de intercâmbio, de reflexão estética sobre o cotidiano que endossa o direito de cada um de compartilhar ali anseios e sentimentos.

Essa reunião plural escancara a heterogeneidade. Aprende-se a conviver com a diferença de gênero, etnia, idade e origem, para enriquecer o olhar, o sonho e a própria dimensão da vida.

A segunda oficina cartonera dinamizou o sarau de setembro, 22, com o ineditismo de poemas enviados por quem participou do volume II da Antologia do Sarau A Plenos Pulmões, criada coletivamente. 

Sarau é uma ferramenta nascida na periferia que estimula a leitura, a escrita e oralidade, que, aliado agora a Cartonera, edita nossos poemas, nossos momentos de criatividade.

Conosco, o poeta Pedro Tostes lançou seu último livro 'Na Casamata de Si'.

Desfiando sua verve finíssima, registra como nos dias de hoje o poema pode resistir às armas e aos barões assinalados. 

Zanir aquece o ambiente vocalizando o seu mais recente poema...

Ivo Jacinto, declamador dos bons, nos acompanha faz anos, e sempre nos brinda com sua presença.

Além de Miró, é de alegrismo o tom do poeta Barretto Junior que nunca deixa de oferecer ao público a sátira sobre a condição longeva do ser humano.  

Debutando no Sarau A Plenos Pulmões o recado do rapper da zona norte se impõe nas alturas de acontecimentos que no dia-a-dia frustram a juventude.

Então nada melhor que o lundu de um canto gospel de quem compõe na voz o silêncio do encantamento.

"Cremos na poesia" de Marco Pezão apresenta sua prece profana.

E lembra Octavio Paz na obra 'O arco e a lira' em que o poeta mexicano compara três diferentes tópicos da vida humana: a poesia, o amor e a religião.

O Sarau A Plenos Pulmões acontece no sábado, 10 de novembro, das 19h às 21h,  na Casa das Rosas, Av Paulista, 37.

Microfone aberto. Inscrições a partir das 18h30. 

Dê voz a um poema. Embale uma canção. Convivência cultural é alimento a ser servido. 

Só a poesia salva! Participe!

Apresentação: Marco Pezão

Texto e fotos: Alai Diniz

Edição final: Marco Pezão

DO CAMPO LIMPO AO SINTÉTICO

POESIA SEM MISÉRIA

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