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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Sarau A Plenos Pulmões na Biblioteca Helena Silveira: uma prática em defesa do Projeto Veia e Ventania

I LOVE LAJE NO FOMENTO À CULTURA DA PERIFERIA

Essa alegria que contagia jovens e adultos aconteceu graças à criação do primeiro livro de poemas da 5a. série A do EMEF Vilas Boas, Campo Limpo.

Constava do Projeto Poesia Encena que levou os alunos à Biblioteca Helena Silveira e promoveu oficinas para a escrita dos próprios poemas...

E os saraus mensais em que experimentaram a oralidade, o gosto de dizer aquilo que escreveram.

A apoteose, após quatro meses, veio com oficina da amiga e guerreira Lucia, da Dulcinéia Catadora...

A montagem e costura dos livros Cartonera estimula o trabalho manual e revela criatividade ao transformar o papelão de uma caixa qualquer em capas, onde cada qual pintou a sua.

O papelão é reciclado, recolhido por catadoras, isto deu um sentido de educação ecológica e humanitária ao trabalho realizado pelo Sarau A Plenos Pulmões, no Programa Veia e Ventania. 

Mas o que teria de tão extraordinário nessa atividade de criação do primeiro livro de poemas?

No Brasil, infelizmente, o livro é um objeto caro! E cada vez mais raras são as crianças de nossa periferia com hábito de irem à biblioteca lê-los. 

E essa instituição onde se guardam os livros necessita de novas dinâmicas...

Com os saraus nas bibliotecas municipais, a poesia ganha voz...

São necessárias políticas públicas que incentivem as comunidades a ocuparem o espaço com racionalidade...

Buscando tornar o livro algo próximo dos estudantes.

Mas trabalhar os próprios livros ali faz parte de uma apropriação desse bem cultural...

...que, entre oficinas de escrita e saraus, o coletivo protagonizou o livro Cartonera A Plenos Pulmões com Poemas da Turma...

Sabendo que, na América Latina, não foi o livro, o responsável por democratizar a cultura, mas sim os meios audiovisuais (cinema, internet, TV) pra lembrar o filósofo espanhol J. Martin Barbero...  

A interatividade entre Escolas e Bibliotecas Públicas feita pelos saraus dos poetas da literatura periférica é um avanço produtivo que não pode permitir regressão, antes, deve ser valorizada...

O aprender é um prazer. Em transpor no papel a poesia em forma de jogo, depois ler em voz alta, aí pintar as capas e recortar as letras, colando-as na capa...a cada passo a arte do fazer...

No Sarau A Plenos Pulmões de entrega dos livros, 12/12, tivemos a presença do Mestre Geraldo Magela cantando a magia de suas cirandas...

A professora Cristina Adriana Silva vira poeta ao escrever, ler e promover o trabalho em suas próprias aulas, envolvendo-se para que o projeto siga existindo para além da biblioteca... 

Grande parceira Maria Cristina Freitas topou a parada sem pestanejar e acompanha o fluxo com a garra de quem mostra que a poesia está no sangue, na alma de todos nós...  

Geraldo Magela e João Verbo ladeiam Otília Pires.

Participante e cantora do Coletivo I Love Laje...

...foi quem preparou a mesa recheada de iguarias...

Desfrutar desse outro sentido que é a convivência fez parte do projeto que transforma a biblioteca em uma escola de atividade poética...

E, finalmente, o resultado no colorido das capas, nos poemas que fazem desse semestre (quem sabe?) um marco na vida desses jovens... 

O abraço coletivo é um mar de afeto que transborda...

Foram quatro meses de aprendizado resultando em fruto revelador.

E a continuidade? 

As notícias veiculadas indicam uma ruptura do Projeto Veia e Ventania...

A prática revela a importância desse trabalho desenvolvido nas bibliotecas municipais...

O Sarau A Plenos Pulmões/I Love Laje acredita que a cultura é o prato a ser servido igualmente a todos...

E qualquer retrocesso é mais uma perda que se impõe à nossa periferia.

Confiram alguns momentos do sarau encerramento do dia 12 de dezembro de 2017. 

Cultura é o que se planta dá!

Reportagem: Marco Pezão e Alai Diniz

DO CAMPO LIMPO AO SINTÉTICO

POESIA SEM MISÉRIA


A VÁRZEA É ARTE

A VÁRZEA É VIDA

PARTICIPE!

Esse projeto foi contemplado pela 1ª edição do Programa de Fomento à Cultura da Periferia da cidade de São Paulo


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Na Biblioteca Helena Silveira, poesia é Veia e Ventania!

I LOVE LAJE NO FOMENTO À CULTURA DA PERIFERIA 

Acreditamos nessa gurizada, mano! Quem diria que essa turminha da 5a. série A do Vilas Boas na parceria com as professoras Cristina Freitas e Cristina Adriana (ambas ao fundo, na foto, ao lado de Marco Pezão), aceitariam, com tanto pique e entusiasmo, o desafio de criar um livro com poemas deles?

Como o cartaz anuncia, o sarau do dia 27 de outubro teve o microfone aberto...

...mas as vozes que se ouviram foi o da turminha da 5a A, mescladas com a de alguns "saraueiros de carteirinha" e também de duas professoras que encararam a parada com o maior afinco. 

Foram garotos e garotas que não tiveram dificuldades em falar no microfone o que criaram na oficina, mais de vinte poemas que eles não titubearam em mostrar aos demais. 

A biblioteca Helena Silveira escutou  vozes jovens que experimentaram a escrita do  poema e o seu burilamento antes do sarau. Como um diamante, um poema não vem só da inspiração,  exige lapidação.

Tanto Camille como Enzo, Letícia ou Maria Eduarda, todos  estavam ansiosos pelo momento de apresentar sua criação que também teve outros destaques.

Mestre Geraldo Magela nos encantou ao trazer o canto das lavadeiras de uma região de Minas Gerais. Lá onde nasceu ...

No Vale do Jequitinhonha  que a violência da catástrofe da Samarco em  Mariana ainda não conseguiu debelar...

Poesia é sentimento e sedimento...

Cristina Freitas, a professora também aceita a aventura da escrita e o potencial de uma voz que pulsa...

Vale a pena ler seu poema que aborda a transformação...

...se anunciando em um futuro próximo: a aposentaria. 

Esse é o sonho de tantos brasileiros que agora, com a reforma da previdência, passará a ser não apenas um privilégio como uma grande incógnita na vida de cada um! 

O poema da Profa. Cristina Adriana também merece atenção pela postura de defesa à Natureza e o apelo à ecologia imprescindível para conter o aquecimento planetário...

É nesse gesto conhecido que, em nome de todos os presentes, ali naqueles encontros vamos vendo passo a passo a experiência projetada com a oficina e o saraus...

Finalizando em dezembro com a execução do livro em formato cartonera...

Essa produção artesanal com capa de papelão (cartón, em castelhano) teve origem em Buenos Aires. Em 2001, esse país vizinho estava em crise de emprego. Todo mundo tava lascado, aí surge a Eloísa Cartonera. 

 O coletivo envolvia catadores de papel e escritores tais como Washington Cucurto. A experiência reúne o desejo de escrever com o trabalho importantíssimo daqueles que vivem da reciclagem...
Além disso, há catadores que se transformam nessa produção criativa. 

Após a Eloísa Cartonera, a ideia se transformou em uma rede. Yerba Mala Cartonera (Bolívia); Lupita Cartonera (México) , Dulcineia Catadora (São Paulo);  Katarina Cartonera ( Fpolis). Hoje há cartoneras espalhadas pelo mundo... 

Com as próprias mãos, recria-se a respiração das árvores que, desde que viraram caixas, retornaram ao ar com o encontro coletivo que é a confecção do livro para expandir-se na arte da edição como na roda do Sarau...

As duas docentes, Cristina Freitas e Cristina Adriana trazem para a 5a. A o frescor desse momento que é vivido por elas...

pelos estudantes, por quem esteja na Biblioteca Helena Silveira...

É Paula, a bibliotecária que vai informando como funciona o cadastro e a oportunidade que a Biblioteca do Campo Limpo oferece, todos os dias da semana.

E após todo esse zum zum zum de vozes que promovem a literatura, o paladar agradece a fina opção que o Sarau A Plenos Pulmões oferece pelas mãos quituteiras de Otília Pires ... 

...com bolos e sucos, os novos aprendizes da arte de poemar, organizados em filas, alegres, anseiam pela recompensa...

Afinal ninguém  é de papelão e muito menos de ferro!

Amanhã, dia 28 de novembro, às nove horas, mais um encontro com essa gurizada...
É de arrebentar a boca do balão.
 Sarau A Plenos Pulmões, na Biblioteca Helena Silveira. 
É nois! 

Reportagem: Alai Diniz e Marco Pezão
Fotos e Vídeos: Marco Pezão e Réporter Favela
Edição: Alai Diniz e Marco Pezão

DO CAMPO LIMPO AO SINTÉTICO

POESIA SEM MISÉRIA


A VÁRZEA É ARTE

A VÁRZEA É VIDA

PARTICIPE!

Esse projeto foi contemplado pela 1ª edição do Programa de Fomento à Cultura da Periferia da cidade de São Paulo




segunda-feira, 3 de julho de 2017

A biblioteca viva vibra na voz do Sarau!

No dia 29 de junho, a exemplo do dia 13 próximo passado, o Sarau A Plenos Pulmões esteve na Biblioteca Helena Silveira, Campo Limpo...

...tendo como público estudantes da EMEF Leonardo Villas Boas.

Além de artistas como Geraldo Magela do CANDEARTE, Taboão da Serra, perito na composição de cantigas de coco e na versão mineira das tradições populares...

Houve a participação de Aline e outros jovens que mostram como o sarau vai, passo a passo, despertando o gosto, seja pelo canto como "Asa Branca" de Luiz Gonzaga... 
   
Ou com o jogral que trouxe para a tarde junina uma "Quadrilha" especial criada pelo consagrado poeta Carlos Drummond de Andrade.

Sarau é diversidade, inclusão e liberdade no uso da oralidade, da opinião e das diferentes formas de expressão artística.  

Caso do RAP que, em inglês, era "Ritmo e Poesia", no Brasil, com o movimento hip hop, ganhou outro sentido: Revolução Através da Palavra.
 
Que o diga Pow Literarua, conhecido na Zona Sul e participante ativo dos saraus na região.

Nada disso seria possível sem a parceria de Gisela, uma docente militante da poesia que não só prepara..,

como estimula seus alunos a lerem e ouvirem com atenção, respeito e cuidado todas as manifestações no Sarau...

Marco Miranda, cria de Saraus, toda vez que pode, contribui com a graça de sua performance em textos de Marcelino Freire.

 Lids Sikeleli, parceira do Sarau A Plenos Pulmões, dando seu recado poético.

E é no entusiasmo das garotas que o encantamento toma conta do espaço.    

Não faltou nem a lembrança da " Canção do Exílio" do poeta romântico Gonçalves Dias que a Professora Marislei trouxe para este sarau.

A dupla Marco Pezão e Alai Diniz apresentou a cena Propinocracia em primeiríssima mão.

A palavra cantada "Poesia na Carne" atrai a atenção da plateia.  

Otília Pires, parceira do Sarau A Plenos Pulmões interpreta um clássico da Musica Popular Brasileira.

Pedro Lucas declama "Poeta de Esquina" de Serginho Poeta.

Vinicius deixou o acanhamento e segurou a onda com sua trovinha de amor.

 O sarau é uma prática cultural da periferia que propõe o microfone aberto aos frequentadores da biblioteca...

Eis aí a fachada da Biblioteca Helena Silveira que guarda no seu interior, além de livros, pessoas como Luzinete e Wanda..,

funcionárias que acolhem o projeto Veia e Ventania e distribuem simpatia e atenção a todos...

O coletivo A Plenos Pulmões agradece a todos!

Confiram a entrevista que Marco Pezão faz a Fernando Ferrari, agitador cultural do Sarau do Povo.

E um lembrete. O próximo Sarau A Plenos Pulmões do Projeto Veia e Ventania, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo..,

...ocorrerá no dia 14 de julho, sexta-feira, às 15 horas, no mesmo local.


OFICINA POESIA ENCENA


CRIE E FALE SEU POEMA!


Dias: 10, 11 e 12 de julho, das 14h30 às 16h30


Espaço de Convivência Cultural I LOVE LAJE
                 
Rua Martinho Vaz de Barros, 27 Campo Limpo
Telefone: 5844-1258

(Ao lado do China in Box, altura do nº 3000 da Estrada do Campo Limpo)

Reportagem: Marco Pezão e Alai Diniz
Vídeo e edição: Marcos Vellasco