Das Rosas, domingo, 20, o Sarau dos Poetas da Casa acontece. Alunos e ex alunos reencontram-se ao final de cada oficina realizada...
Imagens poéticas brilham em mentes geograficamente distantes. Cosmopolita São Paulo...
O time de poetas reunido ao ensaio do poema Louco no Oco Sem Beiras, de Frederico Barbosa...
Homenageado na tarde domingueira...
"Anos:
Nos meus oito
A aurora
Já ardia
Infância
Que
Ri
Da
Vida..."
Maria Alice apresentou e declamou no Sarau da Casa:
"Duas horas de sono
Descompasso
Quando muito duas horas
Outras tantas horas
Passo me decompondo"...
Fotografado pela Sandra Ginez, o blogueiro Marco Pezão:
"Aos quinze era Camus
Que não me deixava dormir
Estrangeiro em mim..."
Charles, que também auxilia na organização do evento:
"Dou só
Suado a aula
Pânico frontal
Mímico no escuro
Grito no vácuo
Carta que se perdeu
No atalho marginal..."
Platéia. É crescente o interesse pela poesia declamada...
A poetiza Neuza Pommer valorizou a palavra. Da poesia de Frederico Barbosa, ela comentou:
"Uma certa dureza - quase pétrea - transparece na leitura desses poemas. Porém, parece-nos que essa dureza é própria dos diamantes. O seu brilho será mais resplandecente, quanto melhor a lapidação feita por seus leitores."
"Nem nas horas de folga
Nas poucas horas de folga
Sossego
Ha sempre o que fazer
Há sempre o que não fiz
Há sempre o que farei
Há sempre
Há sempre..."
O desfile de poetas continua, Patricia no palco:
"Só
Para não chorar
Nos meus oito
Deslocado: calava..."
Rebeca dirigiu a dramatização e deu seu recado:
"Não me fale em planos
De vida ou outros tantos
Não me venha com projetos
Certos prefeitos retos
Danem-se os orçamentos..."
"Vivi torto porque quis
Felizmente infeliz
Sou bomba sem pacto
Pavio curto de cacto
E saia de perto
Que é estouro certo..."
Sandra Ginez acrescenta letra nova ao nosso hábito:
"O mundo se arma
Para o blá-blá-blá
Satélite Browser
Telefone celular
Ondas e sondas
Sem ter o que falar"...
O declamo de Selda Roldan:
"Nunca cri
Nunca quis outro plano
Nunca soube
Por engano ser feliz
Na treva névoa
Da clara lucidez
Restou-me esse
Desprezo essa mudez"...
Cena concreta, Moira em sua intervenção:
"Quem poderia me ouvir
Nessa angústia
A quem interessaria o
meu poço o
Esforço pendular..."
Atentos, a produção que não brinca em serviço...
O poeta Frederico Barbosa encerra a primeira parte do sarau...
Casa cheia curte o intervalo musical...
Júlio e Rafael viajam com a Garota de Ipanema, de Vinicius de Moraes...
Esse é o Júlio dando ênfase ao momento musical...
Garota de Ipanema interpretada em japonês...
Rafael embala:
"Eu sei que vou te amar
Por todo a minha vida eu vou te amar..."
A dupla deu seguimento com muito talento...
Na segunda parte cada qual declamou versos próprios. Vou recorrer a Maria Alice para me enviar os nomes, títulos, trechos das poesias declamadas...
Carlos participou do jogral:
"Caio da cama
No abismo compromisso
Saio tarde demais
Morto demais
Para um café
para pensar em ser..."
Charles:
"Poesia ou geometria
Nada comove
Passam pontos planos retas
Nenhum som ou rosa envolve
Tudo tomba
Semente em pedras
Tumbas..."
Daniel, de Taboão da Serra, presente:
O branco
O diabo azul
O sempre
O todo dia
O mais que profundo
O chumbo
O horror..."
Poetar é a arte mais democrática que existe...
A matéria prima é abundante. História a recordar e viver...
O interesse demonstrado no semblante das pessoas...
Em acompanhar o desempenho dos companheiros...
De tenra idade à maturidade, poesia não pode faltar...
A premiada Dora:
"Tudo quebra
Carro vaso tv
As coisas caem
Sem o saber
Só eu me quebro
Contra a parede
Por querer"
O jovem Edson figurando com maestria:
"Panaca
Não entende minha raiva
Tem tudo
E vence
E vem se gabar
Na minha cara..."
Fecundos ares enriquecem horas festivas...
Versátil, Julio cantou e declamou:
"O acordar é o
Grave o
Dia o
Diabo o
Diabólico o
Sono o
Sono o
Horror o
Chumbo o
Mais que profundo o..."
Moira retorna:
"Quem quer saber
Do meu umbigo o
Nariz perdido
Sem um magro cavalo
Sigo no carro calado o..."
Brasil e gol. Vou descolar o nome do parceiro e sua vibrante poesia...
Vindo de Itapecerica da Serra. Do povo do Ita. O Benedito:
"Procuro no vão
Pegar
No sono do sono sem sono
Apagar
Do sono no sono sem sono
Procuro no vão
Do sono"
Rebeca interpretou Fernando Pessoa, à altura do mestre...
Sandra Ginez conclui apresentação com poema de sua autoria...
Foram bons momentos, Selda se despede...
Na assistência o engenheiro Ramos de Azevedo que construiu a Casa das Rosas para sua filha, por ocasião de seu casamento...
Repleto o cálice, o sarau transborda empatia...
E com gosto de quero mais fica o desejoso até breve!