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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

De Jesus, o Claudião na Indonésia

Quando a meta é vencer, sai de baixo...

Dos treinos no Itaquacetuba, no campo da Regional, quando voltavam, paravam pra tomar suco ou raspadinha de gelo no comércio que tínhamos na passagem. O Cláudio, o China, uma turma de jovens jogadores.

Daí reside minha primeira lembrança do Claudião. Depois, por força da profissão de repórter varzeano, nos encontramos e reafirmamos nossa amizade em tantas outras ocasiões, tendo sempre a bola como foco principal.


Claudião e Rogerio, no Madelâminas, em Taboão

O planeta gira a uma velocidade infinita para que possamos ficar parados, a escolha de um movimento próprio. E o Claudião já trazia passagens por diversos clubes e o tempo que se espera para um jogador decolar é curto, principalmente no futebol brasileiro.


De vê-lo retornar a nossa várzea, teve uma hora que eu temi quanto ao futuro do Claudião, como jogador de futebol. De saber que a habilidade ou atributos nem sempre são levados em conta nessa intensa peneira. Quem segue ou não no profissionalismo, não importa o grau de sucesso, vai além da determinação.


Na época, fiquei sabendo por amigos que o Claudião tinha ido pra Indonésia. Torci pelo acerto, e os anos passaram sem que eu tivesse notícias dele. Soube, então, que a carreira ia bem através do finado Miltão, nosso cortador de cabelos.


Mas foi na Internet que o mundo, algo tão distante, se tornou próximo. E acessando o orkut, o Claudião chegou ao Futebolando. Essa é a ferramenta que eu uso pra estabelecer contato no continente asiático e contar o que esse moço conta, de sua chegada e adaptação:


Claudião na equipe do Madelâminas, disputando o Campeonato da 1ª Divisão

“Eu tinha um amigo brasileiro que tava jogando no Arema Malang Indonésia. Ai o treinador pediu um zagueiro brasileiro, pra ele, que me ligou falando pra eu fazer o teste lá. Só que a passagem tinha de ser por minha conta. Falei que não tinha dinheiro, mas ia tentar arranjar.


O cara da agência e o meu amigo me ligavam todo dia, e eu sem arrumar nada. No último dia do prazo, eu e meu irmão fomos na oficina do Elcio, do Paraná Rod Raf, ver se ele podia me ajudar. Isso foi as 8 horas da manhã e eu tinha que mandar o dinheiro pra agência até o meio dia, senão já era mais esse sonho.


O Elcio falou - Eu não tenho esse dinheiro, mas você vai pra Indonésia fazer o teste – E ligou pra um amigo dele contando meu problema. Deus é mais, o Elcio conseguiu o dinheiro pra mim e às 11h30 eu paguei a agência e fui viajar no outro dia.


O falecido Miltão e o Heitor Banciela foram me levar no aeroporto internacional. Eu estava feliz da vida. O Miltão falou assim: “Esquece o Brasil, não vai dar mole lá!” Cheguei na Indonésia e o meu amigo me levou pra um hotel onde descansei dois dias. E então fui pro Arema fazer os testes.


Foram duas semanas de testes e o treinador chamou o meu amigo pra falar que não gostou de mim e que o Arema ia pra outra cidade. Mas o time reserva e os jogadores em teste iam jogar um campeonato curto, só que o treinador não ia acompanhar.

Me apeguei na esperança. Ele disse que se a torcida gostasse de mim nesses jogos, eu poderia ficar. Só que tinha mais 3 zagueiros fazendo testes.


Aí eu fui pro campeonato e joguei muito, mesmo. Todos do time reserva me dando apoio moral. O treinador foi ver a última partida da competição e nossa, Pezão, joguei muito naquele dia.


Terminou o jogo e o treinador me chamou, que tremedeira. Não vou esquecer nunca. Mas, graças a Deus, ele falou que eu ia assinar o contrato logo mais à noite. Fui pro hotel e chorei feito criança.


Ficava pensando, se eu não ficar nesse time, vou voltar pro Brasil, sem dinheiro e com dívida pra pagar. Ia ser foda pra mim. Mas Deus é fiel e me ajudou. Obrigado, Meu Deus!


Claudião vence as dificuldades e se firma no futebol da Indonésia

O período de adaptação me preocupou, o indonês é um idioma complicado e eu não falava inglês, né? Mas na Indonésia tem muitos brasileiros e no meu time tinha dois, aí ficou da hora. Hoje, depois de 5 anos trabalhando aqui, eu falo muito bem o indonês.

A cidade de Malang é maravilhosa. O povo é muito bom. A estrutura pra trabalhar é muito boa, com vários campos de treinamentos. Aqui eles não gostam de feijão, mas eu sempre dei um jeito e não fico sem meu feijão.


A comida deles é muito apimentada e carregada demais. Mas eu me virei bem, sou favela, né Pezão? Sem carne não ia dar e até churrasco eu sempre fazia.


Quem diria, Claudio Jesus, o Claudião, manchete em jornal indonês

O mais difícil mesmo é ficar longe dos familiares e os amigos do Brasil. Que saudade de jogar na várzea. Que saudades da minha vó, ela me ajudou muito.

Foi maravilhoso jogar no Arema Malang. Conquistei dois títulos, em dois anos. A torcida do Arema é igual a do Flamengo, muito agitada também.


Sou conhecido por Cláudio Jesus e em 2006 disputei a temporada pro PSM Makassar. Em 2007 joguei no Persibat e agora estou no Persipasi.


Estou com 32 anos e através do Futebolando quero agradecer o Élcio, o Zé Carlos, do Paraná Rod Raf, o Miltão, que Deus o tenha. O Heitor, o Yeye, o General, do Campo Limpo, e toda a minha família.


Mesmo distante, tamos juntos. Vida Loka, né?”


Aí Claudião, os amigos torcem por você. Futebolando na Indonésia.
Aquele abraço!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Claudião! É pra você, na Indonésia!

No balcão, o pai Ribeiro e o Cipó. Essa foto vai pro filho Claudião, na Indonésia, onde está jogando futebol.

E essa tecnologia toda, internet. O mundo gira ao redor da nossa cabeça. Não fosse o meio, impossível o Claudião se comunicar pelo futbolando, dizendo:

"so claudiao ..to aqui na indonesia faz 5 anos e faz 4 anos que nao vou pr brasil...nossa to com muita saudade de jogar na varzia ...to vendo as fotos dos jogos da varzia do taboao da serra rsrsrsrsrs muita saudade heim...abraco do claudiao"

Conheci o Claudião começando no Itaquacetuba, que treinava no campo da Regional, na estrada do Campo Limpo. Depois vi jogar no Madelâminas, Sossêgo, e não raro foram nossos encontros pela várzea. Correu atrás da profissão. Não é fácil se projetar no futebol profissional.

Eita, globalização! E lá está o Claudião, na Indonésia, jogando sua bola faz cinco anos.

Claudião, coincidência de percurso. Estava de carona com o Cipó, e paramos num bar pra cervejar. Encontramos seu pai, o Ribeiro. De posse da câmera registrei e publico aqui no blog.

Indonésia, futbolando chegando na área.

Pra você, Claudião

Viajando nessa, o abraço de todos nós...