sábado, 27 de outubro de 2018

Inscrições abertas para a 8ª Copa Verão Masters

I LOVE LAJE NO FOMENTO À CULTURA DA PERIFERIA

"Salve o Futebol Varzeano! Só quem gosta faz o que ama!

Ser diretor responsável de time de futebol não é nada fácil.

O jogo, geralmente, é no sábado ou domingo, mas pra diretor é a semana toda.

Começa em marcar o jogo, lavar uniforme, fazer a lista de jogadores. Falar com cada um, ver os que não podem ir. Os que precisam de carona. Ver se a bola tá em condições.

Separar o material: garrafas d’água, medicamentos, ataduras e a faixa do time. Ver se tem carro pra todos jogadores que confirmaram. Ou se é preciso alugar uma van. 

Fazer contato com o time adversário e saber a cor dos uniformes.

Batalha pra conseguir ajuda pra pagar as taxas e pôr a gasolina no carro de um ou outro. 

Aí enfim chega o dia do jogo. Acabando, ganhando ou perdendo, na segunda-feira começa tudo de novo.

Se isso é estressante? Às vezes até é.

Mas, não vivemos sem esse estresse. Pra nós ele é combustível da vida. Fazemos porque gostamos. Sem nenhum fim lucrativo.

O que ganhamos com isso, é a satisfação e alegria de fazermos de coração o que amamos.

Saudações sempre, Eduardo Pinheiro Caetano, diretor do Liverpool, do Pq Laguna, que veio a falecer na segunda-feira, 21 de outubro, vítima de uma parada cardíaca

Bola pra frente! Joga Senhor!"

Texto e foto: Dondon da Liga

Edição final: Marco Pezão

DO CAMPO LIMPO AO SINTÉTICO

POESIA SEM MISÉRIA

A VÁRZEA É ARTE

A VÁRZEA É VIDA

PARTICIPE!

Esse projeto foi contemplado pela 1ª edição do Programa de Fomento à Cultura da Periferia da cidade de São Paulo




quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Extra! Extra! Uma nova era para o Futebol Feminino?

I LOVE LAJE NO FOMENTO À CULTURA DA PERIFERIA

Jovem alagoana de Dois Riachos ganha mundo com a bola nos pés.

Marta Vieira da Silva,  por cinco vez consecutivas a número 1 do futebol feminino,  contrariou prognósticos misóginos.

Com um aninho de idade, o pai abandonou a família e Marta, criada só pela mãe, não virou bandida. Pelo contrário, carreto na feira, venda de geladinho, foi um modo digno de sobreviver. 

 E agora, superando todos e todas, pela sexta vez, ela recebe o prêmio "The best 2018": a melhor jogadora do mundo. 

Destaca-se em 2003, nos Jogos Panamericanos, quando é convocada pra seleção brasileira, ocasião em que o time de futebol feminino conquista a medalha de ouro. 

A partir daí a carreira profissional de Marta atinge o mercado internacional, com renome na Suécia e nos Estados Unidos. Neste país ainda joga no time Gold Pride.  

Agora, por aqui na quebrada,  quantas e quantas martas, perdidas por aí com seu talentos, impedidas de mostrar a magia de rolar a bola pelo gramado sintético ou natural?

Quantas martas atrás de balcões; na cozinha de bares ou restaurantes; na faxina; cuidando de crianças, irmãos ou filhos, ao reconhecer que a roda da vida costuma pesar sob seus ombros.

-  Pare de divagar! Meu caso é bem concreto! Desde pequerrucha sempre gostei de jogar futebol, na rua mesmo, ou quando os meninos deixavam, no campo... Mas meus irmãos sempre cochichando: "Ela é café com leite".

...Mesmo assim a bola nos pés era um sonho...  

- Em 2015, no Umuarama, aos 14 anos, o desejo se concretizou com um convite do pernambucano arretado, cheio de querer e de experiência,  Zé Roberto. 

 Foi logo formando o time feminino da Família Casarão. Tudo na base do voluntariado.

-Naquela alegria toda, Thalita criou até um apelido "Casarets". Não é que o nome pegou na quebrada?!  

- Nada...nada foram bem uns dois anos, pra gente poder entrar em 3 campeonatos : Copa Libertadores de Base de Futebol Feminino; Copa Delfino Santos e Copa da Paz.  Em 2017 foi apenas o começo e um modo do time ganhar experiência. 

 
Chega pro jogo a Naty e pela mão o sobrinho Daniel. Munido com os superpoderes desse sorriso, ninguém resistia. Virou mascote das Casarets. 

De fevereiro a agosto de 2017, o time deu a cara pra bater mas nem sempre levou. 

Empate em alguns jogos, vitória em outros. A taça distante ainda...

Mas feio o time das Casarets não fez! Copas serviram pra se reconhecer o grau de descaso dispensados aos times femininos na várzea.  Apoio zero!  Arbitragem, transporte e lanches, pago por quem joga. Quem aguentava sair do bairro com tanta despesa assim? 

Ainda mais que, de domingo, no transporte a periferia se veste de tartaruga rumo a outros bairros periféricos.  

De fato, são tantas martas... Nem o futebol de várzea lhes dá, de fato, a chance de treinar, muito menos de jogar. 

Além disso em 6 CDCs na região do Campo Limpo, só uma escolinha é mista. 

Com que idade, as meninas terão a chance de aprender a jogar e  testar sua habilidade? 

E para concluir, cabe agora lembrar a frase de Juca Kfouri no texto "Marta Fenômeno", quando afirma sem meias palavras:"O descaso com o futebol feminino começa pelo futebol masculino." 

A prova disso foi dada por Alcides, um dos técnicos pioneiros em treinar um time feminino de várzea. 

Em uma entrevista ao Futbolando, ele que, em 2003, era secretário de Esportes do Canto do Rio,  time sobrevivente no Itaim...

Espontaneamente relata o preconceito que enfrentou em sua própria diretoria à época em que decidiu criar o time feminino. 

Alcides batalhou por 3 anos e o time se consagrou em vários campeonatos. Só parou quando o Canto do Rio perdeu o campo no Parque do Povo.

Futebol é um esporte que dá prazer a quem o pratica.  Como a poesia, não tem idade, gênero, tribo ou classe social. Só exige forma física, técnica e habilidade no domínio da bola... 

Mudar a mentalidade começa com a desmistificação de que o futebol é um esporte masculino.     

Além de Marta, vale ainda mais um exemplo daqui mesmo: a resistência das Perifeminas lá de Parelheiros. 

O gesto coletivo de se deitarem  todas no campo foi o modo como conseguiram chamar atenção para obter um espaço de treino no campo de Barragem, extremo da zona sul da cidade de São Paulo. 

Mas só o campo pra treinar não basta. E as despesas com transporte, pagamento de árbitros e o valor que cada time paga para participar de campeonatos? 

Então as Perifeminas se uniram pra fazer um projeto e obter auxílio fora do Brasil, é claro.  

E na América do Sul, a Argentina tá adiantada. País pioneiro na história do futebol sul-americano, sua Associação de Futebol da Argentina (AFA) data de 1893.  Hoje  já contém em seus estatutos o financiamento a Copas destinadas aos times femininos. 

Resistir e lutar fazem parte da ação que os times femininos precisam desencadear  pra cavar espaço pras meninas em escolinhas, no campo e nos CDCs. Quem joga, atua porque acredita.

Na Argentina, as pioneiras começaram muito antes no futebol feminino datam de 1971...

Hoje há muitos times amadores de futebol feminino que fazem rifas, malabares, vaquinhas mas não desistem da reivindicação de também ocuparem os campos.  

E Marta Vieira da Silva? Suou a camisa pra ser quem ela é!

Mas a grande notícia, meninas,  guardei pro final.

A FIFA acaba de lançar uma estratégia global para o fortalecimento do futebol feminino no mundo. A meta é chegar a 60 milhões de jogadoras até 2026. 

E pretendem estimular, além de times, treinadoras femininas e dirigentes para a liderança.

Até 2022, pelo menos um terço dos membros do Comitê da FIFA serão mulheres. 

Também nesse rumo, a partir de 2019,   a Confederação Sul Americana de Futebol - CONMEBOL vai exigir que times a disputarem campeonatos internacionais, apresentem também a modalidade feminina em seus quadros.

Tomara que a notícia chegue logo aos CDCs ( de preferência antes do segundo turno eleitoral) e as escolinhas de futebol abriguem também as meninas, conferindo uma nova mentalidade ao futebol de várzea...

Sabe-se lá quantas martas ganhariam o mundo com seu talento daqui a mais alguns anos de abertura!

Texto: Alai Diniz 

Edição: Marco Pezão

DO CAMPO LIMPO AO SINTÉTICO

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Esse projeto foi contemplado pela 1ª edição do Programa de Fomento à Cultura da Periferia da cidade de São Paulo


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

IV FELIZS agitou o Campo Limpo

I LOVE LAJE NO FOMENTO À CULTURA DA PERIFERIA

A FELIZS - Feira Literária da Zona Sul- tendo à frente o poeta Binho, caminhou pelas ruas do Campo Limpo comemorando sua quarta edição consecutiva, mostrando o que há de bom e novo na arte da periferia. 

Visitando pontos culturais do bairro, chega à livraria Poesia FC, porta de entrada do nosso Espaço de Convivência Cultural I Love Laje, e com o poeta Caco Pontes fez a festa rolar.

A galera do EMEF Sinésio Rocha veio junto com muita garra pra mostrar que a juventude anseia por participação.

Nessa parada, Otília canta para o cortejo...

Marco Pezão declama "Nois é ponte e atravessa qualquer rio"...

Embevecido Djalma Pereira, poeta que veio lá da Paraíba, escuta e faz coro, enquanto um fotógrafo registra a ação. Ao lado, Dorinha, diretora da Casa de Cultura, prestigia o acontecimento.

A Estrada do Campo Limpo ganhou o colorido de outras vozes, a poeta Raíssa e ao fundo a melodia de Marlon...

A poesia se expande graças a uma bike conversível que abafa os ruídos das máquinas mortíferas...

 E a FELIZS ofereceu uma extensa programação envolvendo bibliotecas, escolas, o Espaço Clariô, a praça e o SESC Campo Limpo. 

A cultura ativa a memória. 11 de setembro é uma data marcante no calendário. Pra nós, o primeiro onze nefasto foi o de Santiago do Chile, em 1973, quando o  Palácio de La Moneda sofreu uma invasão militar, derrubando um governo eleito em uma Frente ampla. 

O golpe privatizou de vez as universidades públicas chilenas, decepou a mão e calou pra sempre a voz de Victor Jara, compositor e intérprete da Nova Canção Chilena e o estádio de futebol virou campo de concentração e fuzilamento de estudantes, artistas e trabalhadores.  

O mundo assistiu estarrecido um espaço de lazer virar cárcere coletivo onde o único prato a ser servido foi o do medo e da violência desmedida.

O segundo 11 de setembro foi o de 2003 que teve repercussão global. 

As Torres Gêmeas em Manhattan chocou o Ocidente, acostumado apenas com uma violência rumo ao Oriente Médio, Afganistão, etc.. 

Agora era do Oriente que a indústria bélica americana recebia a tragédia de um atentado na cidade que detém um dos pontos nevrálgicos do business global: Wall Street.

Aqui, o 11 de setembro de 2018, no SESC Campo Limpo reuniu o Panorama da Arte na Periferia. 

Uma mesa com Marco Pezão, J. Caxacalunga e Peu Pereira, diretor do documentário, realizado em 2007, com Diane Padial na mediação, a fim de registrar o balanço  de uma década.

Ir e vir é sempre um ato de equilíbrio necessário em qualquer existência e também em um evento que pretende se consolidar.

O certo é que a Feira Literária da Zona Sul projeta-se com a seriedade e resistência que a equipara a qualquer evento interdisciplinar da universidade pelo Brasil afora.    

No dia 15 de setembro, no Espaço de Convivência Cultural I Love Laje, a mesa de "Cinema e Literatura" trouxe 3 filmes:  

Dara, dirigido por Renato Cândido.

Ferroada de Adriana Barbosa e Bruno Castanho 

E Sangría de Luiza Romão. 

Fernando Solidade teve a incumbência de alimentar o debate. Casa lotada! A discussão embalou até as nove, quando Luana Bayô finalizou com um show imperdível.

No último dia da FELIZS, além de diversas atrações,  dia 22 de setembro,  a praça refletiu noca primavera, artesãs, moda, a literatura, a oralidade e o sarau. 

Os curtas metragens dominaram o ambiente. E o artista Chico Cesar bancou o encerramento com maestria. 

Duda, Gabriela, Joyce e eu do Clube de Leitura I Love Laje fomos assistir os escritores de três gerações à mesa:  

Geovani Martins  com o livro de contos " Sol na cabeça"(2018); 

Marcelino Freire, escritor pernambucano da melhor safra. Residente em São Paulo, parceiro de boas causas, em nossa contemporaneidade, por ele a gente grita gol. 

De longe, Manaus, veio Milton Hatoum que também traz a marca da imigração no sangue de sua escritura.

A IV FELIZS começou no dia 10 de setembro e durante 12 dias levou à quebrada um mundaréu de atrações, novidades e reflexões. 

Como sempre a base foi a sociabilidade, o afeto no compartilhamento do saber. 

Uma agitação imprescindível que fez o Campo Limpo vibrar nas veias de quem cultua a diversidade, a arte e a imaginação.

Texto e edição: Alai Diniz e Marco Pezão

DO CAMPO LIMPO AO SINTÉTICO

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