segunda-feira, 10 de junho de 2013

Como nasce um sarau - por David da Silva

Para deixar devidamente esclarecido quem são os dois maiores "culpados" por haver tantos e tão bons saraus de poesia espalhados hoje pela Grande São Paulo, o escritor Marcelino Freire organizou, no anoitecer do último sábado, 8 de maio, um bate-papo com os poetas Sérgio Vaz e Marco Pezão, criadores do Sarau da Cooperifa.

"Há um tempão que eu queria recebê-los para uma conversa. Já fiz vários eventos com Sérgio. Vários com Pezão. Mas nunca assim, com os dois juntos", disse Freire ao abrir o evento que integra o Ciclo de Encontros Literários no Centro Cultural b_arco, em Pinheiros.

"Quem me apresentou ao Sérgio Vaz foi o jornalista David da Silva", respondeu Marco Pezão à pergunta de Marcelino Freire sobre como tudo começou.

Em 1999 eu ancorava um programa de notícias numa rádio-pirata aqui em Taboão da Serra. O Pezão fazia a crônica esportiva. Cada edição era encerrada com homenagem a um poeta. Naquele ano Sérgio Vaz lançava Pensamentos Vadios, seu terceiro livro. Cada um já conhecia o trabalho do outro. Sérgio já havia inclusive votado num poema do Marco Pezão num concurso literário. Mas foi naquele estúdio de emissora clandestina que se deu o primeiro aperto de mãos.

Para Marcelino Freire, "daqui a um tempo, quem for estudar a literatura brasileira terá de se debruçar sobre a trajetória destes dois, que criaram um movimento vigoroso de prática e difusão da poesia".

De onde vem o poema 

Os dois convidados de Marcelino Freire revelaram para a plateia os seus processos de criação.

 Para Marco Pezão, o primeiro impulso para escrever veio do tempo em que fazia teatro. Daí que sua poesia é altissonante, feita na medida para ser recitada em público.  Sua grande influência veio do poeta Solano Trindade.

Pra completar, a certidão de nascimento de Pezão traz a grife Iadoccico, vinda lá da Itália famosa pelo seu povo falante e expansivo. Não à toa chama-se A Plenos Pulmões o sarau que ele realiza na Casa das Rosas.

Como também é repórter, boa parte da produção literária de Pezão vem dos noticiários. Seja um corpo estendido no chão defronte à sua casa, ou o assassinato do terrorista Bin Laden (com cujo nome brinca devido à aproximação com a expressão popular "bimbinha", relativa a pênis).
No conjunto de sua obra ainda não publicada em livro, Marco Pezão é famoso no circuito da literatura marginal com sua premiada poesia Mina da Periferia. É dele também o poema que se tornou um hino para a cultura da periferia: "Nóis é ponte e atravessa qualquer rio".


Sérgio Vaz situa na infância rodeada por livros o seu apêgo às letras. Desfeitos seus sonhos de ser jogador de futebol e tempos depois letrista de canções, encontrou seu próprio caminho rascunhando poemas nos papéis de pão sobre o balcão do bar e mercearia de seu pai.

Marcelino Freire detectou um viéz trágico em duas das poesias lidas por Vaz no encontro.

Creio que isto venha do seu DNA das Minas Gerais, famosa por exportar "minérios e mineiros" e exalar sua melancolia entre as montanhas. Mas quem conhece o poeta Sérgio em carne e osso sabe que ele á mais sorrisos do que introspecção. Frasista incurável, e sarrista de temida pontaria.

Outra característica marcante na vida e obra de Sérgio Vaz é sua já famosa dificuldade de dormir. O cara é tão poeta que tem rima até na sua falta de sono. O homem da insônia é casado com a Sônia.

Antes de encarar o computador noturno, ele prepara seu café. Enquanto a água esquenta, sua cabeça fervilha. Foi destas vigílias que nasceram atividades feito o Ajoelhaço, a Chuva de Livros, a Poesia no Ar, o Cinema na Lage...

Uma saraivada de saraus 

No ano 2000, poetas e outras pessoas amantes da poesia em Taboão da Serra se encontravam de forma fortuita no Bar do Portuga. Era a Quinta Maldita, onde Sérgio Vaz estreitou laços amistosos e etílicos com o seu então novo colega Marco Pezão.

Por estranha ironia, bem em frente ao boteco, no outro lado da rua, fica o enorme salão do centro municipal de recreação e cultura. Mas a própria sigla do lugar (Cemur) já sinaliza que sua maior destinação é a outros fins que não a Arte. Se fosse "Cemuc" a gente tinha mais chances, nénão?

Passado um tempo os poetas se tocaram que o tal "portuga" já não lhes sorria por trás do balcão. "Tá na hora de a gente achar um canto só pra nós", decretaram-se mutuamente Vaz e Pezão.

No ano e meio seguinte os poetas erguerram sua barricada literária no Bar Garajão, ainda em Taboão da Serra. O botequim fechou sem prévio aviso. Lá se foi a poesia procurar abrigo nas quebradas da zona sul da vizinha capital São Paulo.

A Cooperifa estava longe de sua terra natal. Mas Sérgio Vaz estava de volta ao bairro Piraporinha onde cresceu e amou suas primeira letras e leituras. Tudo em casa.

No ano 2004 os cooperifados adentraram no mundo editorial, com a antologia poética de 43 artistas anônimos da periferia. O nome do livro - O Rastilho da Pólvora - foi profético.

Em 2012 uma ong cultural elaborou o Mapa dos Saraus, contabilizando 60 pontos poéticos na região metropolitana, no interior e litoral paulista. Tem mais. Pode contar de novo que tem gente semeando versos por muito mais lugares.

E em cada um destes espaços de celebração da poesia estão as digitais dos pais da Cooperifa. Que já foi muito mais longe do que seus criadores possam imaginar.

O rastilho poético já cruzou divisas estaduais e fronteiras nacionais. Em Hamburgo, na Alemanha, duas semanas atrás, Sérgio vaz foi cumprimentado por um estudante alemão que já havia estado no Sarau da Cooperifa. 

E nem no longínquo sertão pernambucano a Cooperifa dá sossego. "Estive em Ouricuri, a mais de 600 km de Recife, e lá me perguntaram se eu era amigo do pessoal da Cooperifa", contou Marcelino Freire.

Matéria e fotos do jornalista David da Silva, do blog barelanchestaboao.blogspot.com.br

O gol de Jackson, na virada do Paraná.

E o clique do poeta flagrou a intenção do meia Jackson, na partida em que o Paraná derrotou o Paulistano, de virada, por 3 a 1, no CC Guaciara, em Taboão da Serra, domingo, 9 de junho...

Batido o goleiro, olhares acompanham o preciso desfecho...

Jasckon e Lu comemoram o início da reação paranaense. 

Durante a semana tudo sobre os campeonatos Seniors 50, Veteranos 35 e 1ª Divisão taboanense. 

Acompanhe o Futbolando.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

O gol que o Botelho lamentou

Este lance aconteceu no final do jogo em que o Ouro Preto venceu o A. Jacarandá por 2 a 0, pelo 18º Campeonato de Veteranos/35, no CC Guaciara, no domingo, 25 de maio...

O nome Botelho, camisa 19, lembra Julinho Botelho, ponta direita craque da Portuguesa, Palmeiras, seleção brasileira, e Fiorentina, na Itália...

O nosso Botelho é do Ouro Preto, que depois de limpar o zagueiro, bateu consciente buscando o canto.

O endereço de chegada parecia perfeito, mas...

Que pedra no meio do caminho foi essa, que acabou desviando a bola do rumo do gol?...

Aí Botelho, lamentando o imprevisto... 

18° Campeoanto de Veteranos/35

Pontuação Geral 

Chave A – VUMO 6, Jd Roberto 3, Primor 3, Atlântico 3, AMAR 1, Família Taboão 1.

Chave B – Harmonia 6, Saudosa Maloka 4, Vai Q É Mole 3, XI Garotos 3, Fortaleza 1, UPA 0.

Chave C – Nóis Não Liga 6, Ouro Preto 6, Serra Loka 3, Universal 3, A. Jacarandá 0, Santos 0.

Chave D – Paulistano 4, Clube do Copo 4, Unidos Trianon 4, Unidos do Morro 3, Senior Vila Iasi 1, Paraná Rod Raf 0 


3ª rodada (domingo-9jun13) 

CC Marabá Pinheirão 
9h30 Ouro Preto x Nóis Não Liga 
10h45 Família Taboão x Primor 

CC Marabá Baú 
9h30 Santos x A Jacarandá 
10h45 Seniors V Iasi x U Morro 

CC Guaciara 
10h30 Paulistano x Paraná Rod Raf 
11h45 U Trianon x Clube do Copo 

CC Vila Iasi 
10h30 Atlântico x VUMO 
11h45 Serra Loka x Universal 

CC Jd Leme 
9h30 AMAR x Jd Roberto 
10h45 Gremio Upa x Fortaleza 

CC Mituzi 
9h30 XI Garotos x Harmonia 
10h45 Vai Q É Mole x Saudosa Maloka
 

UPA perde os pontos

Na 2ª rodada do 18° Campeonato Municipal Veteranos/35, em jogo no CC Jd Leme, 26/5, o Grêmio UPA venceu o Saudosa Maloka por 2 a 1. 

Desconfiados quanto a utilização de um jogador, os dirigentes do Saudosa Maloka constataram que o mesmo não estava regularmente inscrito e recorreram à Secretaria Municipal de Esportes, organizadora do evento.  

Apreciado e julgado o fato - pegou mal o ato - e o UPA ficou sem os pontos conquistados.

Tá embaçado pro Grêmio UPA. Restam 3 rodadas pro time mostrar a que veio...

Taboão é a capital nacional da várzea!

80 equipes participam da seletiva à 2ª Divisão de Futebol

Últimos preparativos para a Copa das Confederações, um aperitivo antes do mundial 2014, a ser realizado em terra canarinho.

E o Brasilzão será que engrena? A formação para enfrentar a França, domingo, 9, em Porto Alegre, deve ser a mesma que empatou em 2 a 2 com a Inglaterra: Julio César, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz, Filipe Luis, Luiz Gustavo, Paulinho, Oscar, Hulk, Neymar e Fred.

Entre os nomes, novidade nenhuma. A não ser o barcelonês Neymar, promovido à camisa 10.

Em termos de seleção, é muito ti-ti-ti em torno do moço.

Temos também o inglês Oscar. Mas, de verdade, quem pode ser rotulado de craque nesta família Scolari?

O futebol brasileiro já foi taxado de ópio do povo. E, sem dúvida, foi o grande motivador da nação após o surgimento da era Pelé.

Em meu saudosismo, quantos garrinchinhas e pelézinhos proliferaram em nossa várzea?

E por falar em futebol varzeano, o ministro Aldo Rabelo se referiu a Taboão como sendo a capital nacional da várzea.

Pode ser somente um título pomposo, mas nossa realidade é expressiva.

Nada menos que 80 equipes se inscreveram para disputar a seletiva, que oferece quatro vagas de acesso à 2ª Divisão do futebol taboanense.

Somando às competições municipais da 1ª Divisão, Veteranos 35, Masters 45, Seniors 50, sem falar das escolinhas, dá pra perceber o tamanho dessa paixão...

Considerando que o município tem somente 22 km2 de extensão e apenas 6 campos em uso. 

A boa nova fica por conta dos gramados sintéticos.

As obras no estádio municipal seguem aceleradas, e as licitações do CC Mituzi e Guaciara estão em fase de contratação.

Faleceu Zé Duarte, ex-técnico do Martinica

E chegou-nos a notícia de que o Zé Duarte, varzeano nato, técnico do GR Martinica, durante os áureos tempos do Furacão da Zona Sul, faleceu no domingo passado, 02.

Na foto, no reduto do Leão, em meio aos amigos, sua segunda família.

A toda nação martiniquense, os nossos sentimentos.

Sérgio Vaz e Marco Pezão participam de bate-papo no b_arco

Os poetas Binho, Sergio Vaz e Marco Pezão, em 2003, com a Cooperifa...

O Ciclo de Encontros Literários traz no dia 08 de junho, sábado, às 18h, os poetas Sérgio Vaz e Marco Pezão para um bate papo com o público sobre suas obras e experiências com a arte e cultura, no Centro Cultural b_arco. 

Além do bate papo, Sérgio Vaz lança a segunda edição do livro “Colecionador de Pedras”. 

http://barco.art.br/sergio-vaz-e-marco-pezao-participam-de-bate-papo-no-b_arco/.  

b_arco 
Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426, Pinheiros
Estacionamento ao lado 
Informações. 11 3081-6986 
Entrada franca