sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Um suburbano em Boiçucanga

Fomos convidados para participar do Sarau Suburbano Convicto, completando um ano de atividades, em Boiçucanga, São Sebastião, e que marca uma nova fase na vida do escritor e cineasta Alessandro Buzo.

O encontro comandado pelo amigo Buzo segue a linha do seu tradicional Suburbano Convicto, apresentado semanalmente às terças-feiras, 19h, no Bixiga, há 7 anos. 

Agora, na baixada, o sarau acontece toda primeira segunda-feira do mês.

Partimos da Lapa, eu e Otília, na companhia do poeta Paulo D’Auria e Cissa Lourenço, levando nossos livros e poesias para divulgar no festival programado.

Assim, dia 7 de novembro, estivemos no Bar Cartola compartilhando a harmonia ali existente. Lotado. 

Em se tratando de pegar, pegou. É o rastilho da pólvora. 

Ao menos 30 pessoas deram vozes a poemas, raps e canções.

Ao lado do Buzo, Toni e Chantelee, do Listras Negras, bateria e guitarra, criando acordes. 

O microfone aberto reúne e une. Durante duas horas saboreamos convivência e diversidade.

E, entre elas, poder ouvir a Ariela declamar ‘Embriague-se’, de Baudelaire, e outros clássicos, com tamanha sapiência, foi um arraso.

Sarauê!

Não há palavras para tantas imagens colhidas e registradas durante os três belos dias em que lá permanecemos. 

Solzão a reinar. Nada de chuva. 

Somente uma imensidão, que aos olhos de quem mora entre muros no Campo Limpo é desconcertante.

O baguio é louco. Diante do mar me lembrei de um amigo que ao chegar pela primeira vez numa praia, exclamou: 

- Que puta lagoa!

E eu fiquei cabreiro quando na segunda-feira o Toni preparou o passeio para conhecermos as ilhas que ficam alguns quilômetros mar adentro. 

- Vamos de bote? Vige!

E fui para um deleite nunca antes experimentado. O mar é verde como teus olhos, diria o poeta.

O timoneiro Toni é repleto em conhecimentos e o passeio foi uma aula. Cada ilha seu detalhe, história. 

Aportamos numa. E, então, cercado de água por todos os lados, caminhando entre rochas, a salvação.

No meio das árvores, o oásis. Uma barraca. Isopor e cerveja. Peixe pescado fresquinho...

- Que venha uma porção de tudo!

- Mano, você vive aqui?

- Vivo na ilha, e vivo da ilha...

Poetou, fudeu!

A bordo do bote 4x4, possante cavalo a cavalgar as águas de Netuno, e eu me sentindo um potro selvagem a te imaginar nua na areia prateada.

Viajei na onda. Me banhei e bebi. Me inundei ao sabor da poesia. 

Disse pro Toni:

- Quando, em sampa, eu estiver estressado. Venho buscar essa recordação.

Ainda, agora, revendo as fotografias enviadas pelo Paulo, a Sissa, o Buzo e a Marilda, percebo que o mês já se passou.

E do lado inverso do poema, o cotidiano é um batedor de massa. 

Donald Trump se tronou presidente, Fidel Castro morreu, o avião da Chapecoense caiu... 

...e para alegria nossa, o Palmeiras é campeão brasileiro.

E meio a tantas (in) diferenças e fatos tragicômicos da nossa política, estamos numa ansiedade danada por conta do projeto... 

‘Do Campo Limpo ao Sintético, Poesia Sem Miséria’, classificado no edital do Fomento da Periferia.

Joguei bola no campinho da casa do Buzo. Ficamos na pousada do Ricardo, um encanto. 

Compartilhamos momentos que me são inesquecíveis. 

E, a Oxalá, que reina acima da terra e do mar, somente a agradecer:

Alessandro Buzo, Marilda, Evandro, Paulo D’Áuria, Cissa Lourenço, Toni, Celia, Ariela, Chantelee, Otilia...

Um beijo no coração de cada um.

Nóis é bote e atravessa qualquer mar!

Do amigo, Marco Pezão


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Candearte: amor e resistência

Nem tudo é mal ou bem. Vai se vivendo. Contornando. 

Mas quando o tempo de convivência apresenta desgaste na relação amorosa entre marido e mulher, é barra. 

Osvaldo já se habituara a uma certa rotina. 

Todo sábado fica sozinho em casa. E essa situação o incomoda. 

Dona Lucélia, invariavelmente, passa os fins de semana com a filha e o neto.

Na tela do computador visita páginas de mulheres nuas. 

66 anos. 30 de casado. Aposentado. A solidão o atormenta. Bebeu da cerveja.

- Essa é a real. E nada posso fazer para mudar. 

Tivemos bons momentos no casamento. Mas, acabou. E eu me sinto passado.

Assim pensando olhou entre as pernas e suspirou. 

Entristecido retornou à sua página no face book e se deparou com uma matéria ali compartilhada:

Cocada com Sarapatel é no Candearte!

Começou a ler e um estranho interesse sentiu. Dança do Coco?

A labuta diária nunca lhe permitiu alguma distração além do trabalho.

Novo gole entusiasmou seu pensamento:

- A Casa de Cultura Candearte fica perto, no Pq Marabá... participação dos grupos Ganzarandá e Candogueiros, do Campo Limpo. 

Uma reflexão ao Dia da Consciência Negra...

Olhava as fotos. Não conhecia ninguém. 

Mas viu pessoas de várias idades cantando, dançando, rindo.

O tempo na rua estava chuvoso, nada animador. 

Mas ficar em casa vendo tv ou mulher pelada é o nó. Não aguentava mais.

Foi pro banho e por volta das 20hs se dirigiu ao espaço Candearte. 

Da esquina ouviu a cantoria e se aproximou. Seja bem-vindo foi logo recebido.

E o Osvaldo movido pelo entusiasmo presente, sentiu-se à vontade. 

Em meio à roda, as mãos embalaram palmas e o comichão tocou os pés...

- É pra frente e pra trás, rapaz! Bate o pé, balança, e volteia no mesmo passo.

Iluminada mente. Osvaldo cantando, rindo, dançando. 

Fazendo par com as pessoas. Sentiu-se livre, leve, solto.

O sarapatel tava uma delícia. Arriscou uma cachacinha. 

Pedreiro, mestre de obra que era, tudo construía e reformava em sua cabeça.

Olhou a sede com outros olhos. Penetrou na alvenaria. Sua simplicidade. 

As marcas do reboco. O teto. O piso. As portas. 

Uma cobertura no quintal passou diante dos seus olhos.

As dificuldades estampadas, lidas nas paredes. 

E a grandiosidade a cantar, a bailar. 

Energia, arte, acolhimento. 

Assim embalado, num instante supremo, percebeu que é possível mudar os rumos das coisas.

A compreensão é magia. 

E em tamanho cresceu o Osvaldo quando olhos belos de uma senhora lhe pousaram nos seus.

A palpitação daí em diante marcou o compasso. 

As palavras trocadas. Um desejo crescente. 

O beijo no rosto e o perfume da despedida.

Tornaram-se amigos no face book. Mais que isso. 

A troca de mensagens revela um romance a ser escrito.

Ela é de um bairro distante, dificultando a paquera. 

Mas um próximo encontro está marcado para o sábado 10 de dezembro...

...quando o Grupo Candearte irá promover a folia Boi de Reis.

As fotos são da 28ª Cocada do Grupo Candearte, que aconteceu no sábado 12 de novembro.

Participaram da fotonovela o elenco do Candearte e convidados:

Geraldo Magela, Maria Clara, Ingrid Sena, Pedro Lucas, Táta...

Dara Cristina, Pedro Aquino, Genini, Luana Piveta...

Melissa, Bruno Uberê, Alai Diniz, e Renato Macedo.

Em Taboão da Serra, Grupo Candearte é amor e resistência!